Moacir dos Anjos

Rumo a um lugar que não se conhece ainda

Bounding for a place not known yet

Acercar-se sensorialmente do mundo. Apreendê-lo no que possui de singular sem reduzi-lo a uma dimensão apenas. Investi-lo de humanidade a partir de sua exploração contínua. Não somente com a capacidade da visão, mas com todos os sentidos juntos, pois, como dizia Merleau-Ponty, “o mundo está à minha volta, não na minha frente”. É esse ímpeto de conhecimento múltiplo e inquieto que primeiro move o trabalho de Waléria Américo. É ele que a faz avançar rumo a um lugar que não se conhece ainda: um lugar que se constrói e se mostra no percurso mesmo em que é percorrido.

A dúvida, portanto, é seu impulso maior para

fundar o território simbólico que habita, e que

ganha contornos mais definidos – embora sempre inconclusos – a cada novo trabalho que cria.

Em uma série de cinco fotografias, passeia sobre a mureta do que parece ser o topo de um edifício, de onde se vislumbra uma paisagem feita de muitos outros prédios que, juntos, quase encobrem o horizonte. O perigo de queda implícito na caminhada parece estar justificado na última das imagens mostradas, em que a artista alcança posição que a permite testemunhar o crepúsculo para além da barreira que os edifícios formam, bem como no título-motivo dado ao trabalho: Para ver o céu mudar de cor. Já no vídeo Mergulho na Paisagem, o ato de jogar pedras em um lago é reencenado por vezes a fio sem outro fim que não seja o de desfazê-lo de uma utilidade conhecida, exceto a de conhecer com o corpo o cenário em que o mesmo está inscrito.

É dessa disposição para subverter o familiar que se tece, em conteúdo e em forma unidos como uma coisa apenas, a ainda curta e já madura trajetória de Waléria Américo. Trajetória na qual se afirma uma inquietude com os modos de habitar fisicamente o mundo e onde transparece uma inadequação do corpo às coordenadas espaciais empregadas na vida comum, com as quais se definem os lugares de repouso e trânsito. Trajetória onde se impõe, derivada de tal desconforto, a vontade de investigar o que se esconde por detrás do que é já sabido. O desejo, transposto em mídias diversas, de conhecer de novo o que é assentado costume.

Não é parte desse ânimo de experimentação, contudo, qualquer empenho em colocar-se em posição de privilégio frente ao outro. Ao mesmo tempo em que afirma uma perspectiva que é a sua, busca, em seus trabalhos, anular o que lhe

é singular, fazendo de seu corpo instrumento

de inquirição de um espaço comum também

aos demais. São elementos operativos dessa

estratégia a distância e as angulações em que se

faz fotografar ou filmar, as quais mostram tanto

quanto escondem os seus traços fisionômicos, e as roupas simples com que realiza os trabalhos, que não promovem distinção imediata entre aquilo que faz e comuns atos cotidianos.

A crítica aos limites entre pares de supostos

antípodas também se manifesta na indistinção

conceitual entre as séries fotográficas e os vídeos

que Waléria Américo produz. Por serem apresentadas como fragmentos de uma ação, imagens fixas e encadeadas parecem supor a temporalidade contínua de um vídeo que, ainda que não feito, pode ser imaginado. De modo inverso, cada vídeo efetivamente realizado pode ser apreendido, em tese, por meio da seleção de alguns poucos dos fotogramas que o constituem. O trabalho da artista depende menos de características próprias da fotografia ou do vídeo (além de outros meios que eventualmente utiliza) e mais de sua disposição em empregá-los em sua estratégia de conhecer, sempre um pouco mais, a natureza do espaço onde ela e outros vivem.

Estratégia que tende a despregar-se de referentes reconhecíveis e a fundar-se na captura de imagens que descrevem, em potência, uma parte qualquer do mundo, convertendo-se em método investigativo. No vídeo Contenção, a artista percorre um ambiente feito de pedras que ocupa todo o campo filmado e do qual pouco se pode saber, portanto, de sua extensão, altura ou origem. Caminha em linhas retas, sobe e desce os níveis distintos de que a construção é feita, como se a negociar a sua permanência nesse lugar, ou como se a intuir algo que não sabia antes de estar ali.

É no trabalho Mirar, porém, que a vontade de

abstrair-se de um espaço específico como foco

de investigação se alia ao descentramento da

perspectiva através da qual Waléria Américo

apresenta os resultados, sempre provisórios, de

sua exploração do território por onde se desloca

e assim o cria. Atando micro-câmeras a partes

diversas de seu corpo, percorre lugares variados

da cidade (ruas, telhados, muros) e deixa seus

movimentos os registrarem em múltiplos pedaços. Em vez do olhar distanciado, inequívoco e quase estático com que captura suas investigações passadas, agora são perspectivas fragmentadas desde regiões distintas do próprio corpo que são gravadas em imagens e compartilhadas com o outro pela artista. Oferta, assim, uma visada do mundo que nenhum olho registra e que é mais afeita, contudo, ao espaço social e afetivo partido onde hoje se vive.

Como resultado do direcionamento que a sua

pesquisa recente assume, Waléria Américo abre

mão, por vezes, até mesmo das imagens relativas

aos caminhos que trilha na cidade, exibindo somente os seus fraturados resíduos sonoros, em

apelo implícito à imaginação de quem os escuta.

Divide, assim, novamente e por meios diferentes

dos antes usados, a criação de sentidos para os seus trabalhos, ainda que contingentes e provisórios. Sentidos contextuais e fugidios que ela também oferece, como possibilidade, na forma de objetos que inventa e para os quais não há finalidade certa, como um trampolim em que não se pode subir e de onde se salta para o nada (Ilusão, ou minutos antes), ou uma cadeira alta o bastante para pôr o outro em dúvida sobre sua serventia (Suspensão). Promove, por meios vários, o desmonte das normas vigentes de orientação no espaço. Apenas para propor outras, que zela para que nunca se deixem fixar.

To be surrounded by the world in a sensory way.

To apprehend it on its unique elements avoiding

reducing it to one dimension only. To fulfill it with

humanity from its continuous exploration. Not

only by the ability of sight, but with all the senses,

because, as said Marleau-Ponty, “the world is

surrounding me, not only ahead of me”. It is this

impetus of multiple and uneasy knowledge that

first moves the work of Waléria Américo. It is what

makes her to proceed towards a place yet not

known: a place that builds and shows itself on the

same path while explored. Doubt is, therefore, her

stronger impulse in founding the symbolic territory

in which she lives. Such territory gains more

definite outlines – although always inconclusive –

in every new work.

On a set of five photographs, she wanders on a

wall that seems to be the top of a building, from

which a landscape made of many other buildings

is revealed, buildings that, altogether, almost hide

horizon. The implicit danger of fall on this walk

seems to justify the last of the images shown, on

which the artist reach the position that allows

her to testify the twilight far beyond the building

barrier, as well as the title-reason given to this

work: For seeing the sky changing color. In the

video Dive into the Landscape, the act of throwing

rocks on a lake is performed repeatedly with no

other goal than to put it far from a known utility,

except the one of knowing with the body the

scenery on it is inserted.

It comes from this inclination to subvert the familiar

elements built, in content and shape united in

one, the still short and already mature trajectory

of Waléria Américo. Within this trajectory it is

reaffirmed a body uneasiness towards the spatial

coordinates used in everyday life, the ones which

define places of rest and transit. And within

such trajectory it is imposed, deflecting from the

uneasiness, the willing to investigate what is kept

behind the already known. Desire, crossed over in

several media, of discovering again what is settled

as a habit.

Is not part of this experimentation spirit, however,

any effort to be in a position of privilege facing

other people. While affirming her perspective in

those works, she tries to rescind what is singular to

her, making of her body a questioning tool about a

common space to the rest. As part of this strategy

are the distance angles photographed or filmed,

showing and hiding physiognomy, as well as the

simple clothes while performing, clothes which does

not evoke immediate distinction between métier

and routine acts.

The criticism to the boundaries between pairs

of supposed opposites is also shown through

conceptual indistinction among the videos and

sets of photos produced by Waléria Américo.

For being presented as fragments of an action,

fixed and chained images seem to suggest the

continuous temporality of a video that, not done

yet, can be imagined. On the other hand, each

video effectively made can be apprehended, in

thesis, by selection of some of its photograms. The

artist’s work depends less on proper photography

and video elements (besides other eventually used

media) than on her eagerness to use them in the

strategy of knowing always deeper the spatial

essence shared with others.

Such strategy tend to be detached from recognized

references and to dive in the capture of images describing, in full, an ordinary part of the world, converting itself in investigation method. In the

video Contention the artist walks by a stoned place

fulfilling the whole screen, becoming impossible

to identify, therefore, its area, height or origin.

She walks in straight lines, goes up and down the

construction different levels, as if negotiating her

permanence in such place or if wandered about

something unknown before being there.

However, it is in the work Gazing that the will

of abstract herself from a specific place as

investigation focus is combined to the decentralized

perspective through which Waléria Américo

presents her results, always provisional, of the

territory explored and, so, recreated by her. Tiding

up micro-cameras in different parts of her body,

she passes through several city settings (streets,

rooftops, walls) and let them be registered in

multiple pieces by her movements. Instead of the

unmistakable, almost still and spaced out and look

used in former investigations, now we have broken

perspectives since different parts of the body,

recorded in images and shared with the public by

the artist. It is offered, thus, glances of the world

not captured by any eye and that are, nevertheless,

more connected to the social space, affective and

broken in which we live.

As a result of directions taken by her recent

researches, Waléria Américo sometimes even

despises images related to the city tracks to focus

and show only its broken residues of sound, as

an implicit appeal to the imagination of listeners.

She shares again and by different ways from

the formerly used, the creation of meanings of

her works, although doubtful and provisional.

Contextual and slippery meanings are also offered,

as a possibility, in the shape of objects she creates

and which for there are no definite use, as a

trampoline impossible to climb and from where

one jumps to nothingness (Illusion or minutes

before), or a chair high enough to one question its

utility (Suspension). The artist, by different ways,

promotes the dismantling of valid rules of space

orientation just to propose others, watching over

impossible settlement.

Bitu Cassundé

Delay

Na ilha deserta, uma tal criatura seria a própria ilha deserta

à medida que ela se imagina e se reflete em seu movimento primeiro.

 On the desert island, such a creature would be the desert island itself,

insofar as it imagines and reflects itself in its first movement.

 

(Deleuze)

Delay instaura o instante do “quase”, nele há um eco que reverbera diversas temporalidades e imprime a presença do incômodo. Nesse instante do ruído emerge a provocação e nele há força pulsante. Sim, há desejo na dissonância, há potência na concretude da condição de ser dois, do furor do encontro, do regozijo. Em Delay habita um estado regido pela inquietude, em fragmentos de vários espaços deslocados, do vazio e um lirismo além mar.

A exposição Delay da artista Waléria Américo apresentada na Galeria Laura Marsiaj no Rio de Janeiro, tem como núcleo central quatro obras (dois vídeos e dois objetos). No seu conjunto evocam fragmentos de um corpo poético, lugares amplificados, mínimas distâncias, pequenos estados do “ser/estar”; signos que evidenciam estratégias de transposição. Oscilação entre posições físicas e imaginárias; reverberam a instabilidade do som e, fazem vibrar, o território da tormenta, do vulcão em erupção e da fratura geográfica que emerge a ilha deserta.

No manuscrito “Causas e razões das ilhas desertas” Deleuze apresenta uma reconfiguração mitológica das ilhas desertas e a desloca da instância geográfica para imaginária; define as ilhas continentais, assim como as ilhas oceânicas e observa que esses dois tipos de ilhas “dão testemunho de uma oposição profunda entre o oceano e a terra”. Nessa eterna tensão nos faz lembrar que ora o mar está sobre a terra, ora a terra sob o mar e reconhece que os elementos em geral se detestam, “que eles têm horror um do outro”. Desse combate de polos ou gêneros revela que “de um modo ou de outro, a existência das ilhas é a negação de um tal ponto de vista, de um tal esforço e de uma tal convicção”. Deslocando para o campo da imaginação, observa que lá já se constatava “o duplo movimento que produz as ilhas em si mesmas”.

Dessa confluência de questões busco a metáfora da ilha para adentrar ao universo da cearense Waléria Américo. Começo pelo seu repertório composto por índices que remetem ao outro lugar, que flertam com o próximo instante noutro território e compõem uma cartografia que alimenta sua visualidade como: a escada, o trampolim, o balão, o balanço, as pernas de pau, a gangorra, os barcos, o píer (...) signos que evocam estratégias que se situam “no mirar”, “no escape”, “no percurso”, “nas estratégias de fuga”, que vislumbram uma nova linha do horizonte.

O desenho surge como uma matriz processual num sistema de “notas/imagens”. Dessa confluência de diversos mundos, tanto do plano geográfico quanto do poético, camadas de imagem se sobrepõem entre subjetividades e percursos. Suas pesquisas se desdobram em ações, fotografias, objetos, vídeos que potencializam a fricção entre imagem e corpo - como agente explorador - versus o outro lugar ou a “ilha deserta”.

E Deleuze continua no seu tratado sobre a ilha deserta “sonhar ilhas, com angústia ou alegria, pouco importa, é sonhar que está separando, ou que já se está separado, longe dos continentes, que se está só ou perdido; ou, então, é sonhar que se parte do zero, que se recria, que se recomeça”. O homem necessita sujeitar-se ao movimento que conduz à ilha nesse instante “a ilha seria tão somente o sonho do homem, e o homem seria a pura consciência da ilha” dessa confluência a “geografia se coligaria com o imaginário”. 

Em Paragem, site specific, concretiza-se a possibilidade de experimentar o percurso, ali o mar é propício para navegação, é templo, é estado de convívio com o outro, cercanias de estabilidade, confluem entre terra e mar, entre corpo e desejo. O píer – estrutura em madeira que ocupa parte da galeria - é composto por peças que se encaixam, módulos que representam uma unidade fragmentada de vários corpos e derivações. Nessa obra Waléria Américo convida o espectador a desbravar o percurso, que se delineia como um mirante e conduz as especificidades de lugares e pertencimentos. Já em, Ao longe e ao longo (díptico em vídeo para micro telas), apresenta uma variação cromática “quente/frio”, que se acelera pelo óptico da câmera e nos captura para instabilidade do movimento entre tormentas e calmarias, uma paisagem ao fundo sinaliza uma ilha/farol, num jogo de zoom que conflita distância e proximidade.

Ao utilizar o corpo como unidade de medida, a artista percorre uma faixa de concreto que avança no mar, Mensurar, é o registro em vídeo de uma performance que desarticula o processo comum da ação, da medição do fluxo contínuo e do embate entre paisagem e transeuntes. Curvas em mar novo é uma instalação composta por sete barcos que interagem organicamente num fluxo de ordem/desordem, organização/caos e aponta para as instabilidades dos instantes.  

A turbulência do mar é áudio que reverbera em Delay, é mecanismo entre vetores ou guindastes de forças opostas, é o processo de ordenar, de permitir ser conduzido pela correnteza mesmo com a inquietação do novo, do desconforto, do próximo instante.

 Delay elicits an “almost” moment. It contains an echo that reverberates different times and instills a state of discomfort. At this time of noise, it is a provocation driven by a life force. Yes, there is desire in dissonance, there is potency in the concreteness of being two, the frenzy of coming together, in pleasure. Delay is imbued with a sense of unease, in fragments of different displaced spaces, emptiness, and a lyricism that hails from afar.

Delay, an exhibition by Waléria Américo at Galeria Laura Marsiaj in Rio de Janeiro, centers around four works: two videos and two objects. Together, they elicit particles of a poetic body, augmented places, minimal distances, small states of “existing/being”; signs that indicate transposition strategies. Alternating between fixed and imaginary positions, they echo the instability of sound and cause the raging land, the erupting volcano and the fracture from which the desert island wells to tremble.

In his essay “Causes and reasons for desert islands”, Deleuze presents a mythological reconfiguration of desert islands, shifting them from the geographical to the imaginary plane. He defines continental islands and oceanic islands and observes that both types “reveal a profound opposition between ocean and land”. In this eternal tension we are reminded that the sea is on top of the land, that the earth is under the sea, and recognize that the elements are generally in strife, displaying “a repulsion for one another”. This struggle between poles or genders reveals that “in one way or another, the very existence of islands is the negation of this point of view, of this effort, this conviction”. Moving to the field of imagination, he observes that there was already “the double movement that produces islands in themselves”.

From this conjunction of issues, I draw on the metaphor of the island to penetrate the world of Ceará-born Waléria Américo. I start with her repertoire of signs, which seem to indicate some other place, that toy with the coming moment in some other land and make up a cartography that feeds her visual repertoire: ladders, springboards, balloons, scales, stilts, swings, boats, quays (...); signs that indicate strategies to occupy “the gaze”, “the escape”, “the route”, “escape strategies”, and envisage a new horizon.

 

Her drawing can be seen as a procedural matrix in a system of “notes/images”. As these different worlds, both geographical and poetic, converge, layers of image overlap between subjectivities and trajectories. Her research develops into actions, photographs, objects and videos that harness the friction between image and body – as an agent of exploration – versus some other place, or the “desert island”. 

 

Deleuze goes on with his treatise about the desert island: “dreaming of islands — whether with joy or in fear, it doesn't matter — is dreaming of pulling away, of being already separate, far from any continent, of being lost and alone — or it is dreaming of starting from scratch, recreating, beginning anew”. Man needs to surrender to the movement that leads to the island at this time. “The island would be only the dream of humans, and humans, the pure consciousness of the island.” From this movement, “geography and imagination would be one”. 

The site-specific work, Em Paragem, expresses this potential to experience the trajectory, where the sea is variously for voyaging, an altar, a state to be experienced with others, at the very edge of stability, straddling land and sea, body and desire. The quay – a wooden structure occupying part of the gallery – is built of interlocking parts, modules that represent the fragmented wholeness of different bodies and derivations. In this work Waléria Américo invites the viewer to blaze a trail, outlined here as a panoramic view that leads to specific places and belongings. Meanwhile, in Ao longe e ao longo (a video diptych for micro-screens), she presents a “hot/cold” chromatic variation which accelerates through the camera lens and captivates us with the ever-changing movement between storm and stillness. A landscape in the background reveals an island/lighthouse, with a play on zoom confounding distance and proximity.

In Mensurar, the artist uses her body as a unit of measurement along a length of concrete that stretches out into the sea. It is the film of a performance that breaks up the normal process of action, the measurement of continuous flow and the clash between landscape and passers-by. Curvas em mar novo is an installation made up of seven boats that interact organically in a flow of order/disarray, organization/chaos, indicating the instability of moments. 

The turmoil of the sea is an audio that permeates Delay. It is a mechanism involving vectors or cranes with opposing forces, a process of ordering, of surrendering to the current, even in the unease of the unknown, of discomfort, of the coming moment.